Eu gosto de correr, estilo aquela coisa fashion a que se chama jogging.
Gosto de apertar a chave de casa na minha mão para não fazer barulho enquanto sinto cada pedra através dos ténis que já viram dias melhores.
Gosto de sentir-me cada vez mais ofegante enquanto continuo, inertemente, a correr em ponto morto.
Gosto de correr quando anoitece, no escuro da noite, ou no romper da madrugada, naquela hora em que apenas os penados transitam e os sussurros emudecem; naquela hora de silencio em que apenas se ouve o Pensamento.
Dizem que é impossível não ter pensamentos em qualquer dado momento, mas a verdade é que enquanto volteio pelo parque consigo esvaziar-me ao ponto de não poder pensar em mais nada para além das pedras que estão naquele chão, senão corro o risco de tralhar... e de voltar a pensar.
Há mais uma coisa que eu gosto de sentir: a dormência no corpo; e a dormência na mente. E de apenas conseguir focar o meu sentimento no batimento de um coração acelerado e no percurso das gotas de suor para amenizar a dor que é o Pensamento.
terça-feira, 13 de Outubro de 2009
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
És chama como sempre foste
O corvo bica as janelas do silêncio
e os voos sangrentos da memória.
Alimento-me da chama
que crepita nessa alma devorável!
Descalço-me antes de te entrar no peito
para não te calcar a solidão...
E os meus passos acendidos
iluminam as cinzas
desta noite que nos escapa...
e os voos sangrentos da memória.
Alimento-me da chama
que crepita nessa alma devorável!
Descalço-me antes de te entrar no peito
para não te calcar a solidão...
E os meus passos acendidos
iluminam as cinzas
desta noite que nos escapa...
quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Conselho musical
Aos leitores assíduos deste blog (sim, vocês os 2 :P) aqui fica uma descoberta recente que aconselho: Bat for Lashes...uma espécie de fusão das minhas mais-que-tudo musicais - Tori Amos e Björk.
Toca a explorar e apreciar ;)
O colega de blog como temos gostos tão diferentes é capaz de gostar disto ;)
Toca a explorar e apreciar ;)
O colega de blog como temos gostos tão diferentes é capaz de gostar disto ;)
quarta-feira, 20 de Maio de 2009
Tudo o que cabe cá dentro
Como a nossa personalidade se desenha com aquele acorde específico, com a forma como a luz ilumina aquela cena, com o adjectivo utilizado para descrever aquela personagem...somos, sem nos apercebermos, um mosaico que se pinta com as cores de todos os filmes, séries, livros e músicas que já observemos, quais esponjas sedentas de medula...e, então, deixamos de ser só nós, para sermos nós mais o somatório de experiências daquela personagem, nós mais aquela banda sonora, nós mais aquelas letras que mais que impressas no papel, nos estão tatuadas na mente...
terça-feira, 28 de Abril de 2009
Comentario à ultima frase que Pessoa exalou
deve ser tão estranho saber que vamos morrer depois de acabar de escrever...
deve ter sido um sentimento fantástico poder controlar quando morrer. controlar no sentido de "eu tenho que escrever mais qualquer coisa, e não vou morrer até o fazer!..."
E se ELE tivesse escrito em vez de apenas essa frase, um manuscrito megalítico: para alem de termos as ultimas palavras de um homem [quase]morto; teríamos, muito provavelmente, o livro mais completo e elaborado, criado a partir da celeridade com que todos "eles" lutavam para deixar a sua marca neste mundo enquanto a sua porta de entrada para o mesmo se fechava. Todos eles juntos batalhavam para lhe dar vontade de poisar a ponta da caneta do papel, pois daí para a frente todo o processo seria deles: apenas precisavam daquela porta de entrada que em breve se fecharia...
é bizarro, mas é um pensamento familiarmente interessante...
o que escrever quando sabemos que vamos morrer?
No entanto todos eles optaram, até Pessoa, por apenas deixar essa frase no nosso plano de existência.
Frase essa que compreende toda a escrita possível, e de onde podem jorrar e jazer infinidades de inspirações...
deve ter sido um sentimento fantástico poder controlar quando morrer. controlar no sentido de "eu tenho que escrever mais qualquer coisa, e não vou morrer até o fazer!..."
E se ELE tivesse escrito em vez de apenas essa frase, um manuscrito megalítico: para alem de termos as ultimas palavras de um homem [quase]morto; teríamos, muito provavelmente, o livro mais completo e elaborado, criado a partir da celeridade com que todos "eles" lutavam para deixar a sua marca neste mundo enquanto a sua porta de entrada para o mesmo se fechava. Todos eles juntos batalhavam para lhe dar vontade de poisar a ponta da caneta do papel, pois daí para a frente todo o processo seria deles: apenas precisavam daquela porta de entrada que em breve se fecharia...
é bizarro, mas é um pensamento familiarmente interessante...
o que escrever quando sabemos que vamos morrer?
No entanto todos eles optaram, até Pessoa, por apenas deixar essa frase no nosso plano de existência.
Frase essa que compreende toda a escrita possível, e de onde podem jorrar e jazer infinidades de inspirações...
segunda-feira, 27 de Abril de 2009
O segredo dos demonios que vieram do espaço e da noite
Com a loucura nos olhos
e uma mente em alvoroço:
oiço um hino à lua.
Novamente cheia.
Cheia de luz, vida e saudade,
e som, e virtude e calamidade.
Será este resplandecer lunático
apenas o uivo da noite?
ou é este sibilante som
o silvar das criaturas vagabundas.
essas que se escondem nas próprias sombras
e que fazem do mundo o seu quintal
o seu segredo, a sua tela;
essas que arrastam o escuro manto com elas,
que traz a ténue luz extinta
de astros ancestrais de onde vieram
rastos de onde outrora estiveram.
Eles que primeiro precisaram da luz
essa luz que vem do sol e da lua e do som
essa luz que ecoa
esse som que reflecte
essa bestialidade que seiva das sombras
dessa besta maltrapilha que somos nós.
e uma mente em alvoroço:
oiço um hino à lua.
Novamente cheia.
Cheia de luz, vida e saudade,
e som, e virtude e calamidade.
Será este resplandecer lunático
apenas o uivo da noite?
ou é este sibilante som
o silvar das criaturas vagabundas.
essas que se escondem nas próprias sombras
e que fazem do mundo o seu quintal
o seu segredo, a sua tela;
essas que arrastam o escuro manto com elas,
que traz a ténue luz extinta
de astros ancestrais de onde vieram
rastos de onde outrora estiveram.
Eles que primeiro precisaram da luz
essa luz que vem do sol e da lua e do som
essa luz que ecoa
esse som que reflecte
essa bestialidade que seiva das sombras
dessa besta maltrapilha que somos nós.
quarta-feira, 15 de Abril de 2009
"I know not what tomorrow will bring."*
Será que o destino que concede também arranca?
Será que está destinado a que os nossos caminhos se afastem?
Será que a duração da presença na vida de outro se mede pela intensidade? Quanto mais intenso, menos tempo?
Será que está destinado a que os nossos caminhos se afastem?
Será que a duração da presença na vida de outro se mede pela intensidade? Quanto mais intenso, menos tempo?
* última frase de Pessoa
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